segunda-feira, 13 de abril de 2009

Menina

Raul e Lívia se conheceram no trabalho, trocaram e-mails e começaram a conversar e foram se encontrando. Só que Raul era monótono nas conversas, Lívia era mais expontânea, dinâmica, gozava de seus 16 anos aos pulos, seus finais de semana não acabavam antes de uma interatividade com seus amigos. A mãe entendia, afinal, jovem e bonita, a vida só se vive uma vez.

Raul é estagiário, faz faculdade e consome no vácuo glórias que ainda não tem. No mesmo lugar onde Raul trabalha, foi admitido fulano de 23 anos, efetivo. O reinado de Raul ali teve fim, já não era mais o único cara bonito e interessante pra se conviver.

Um dia, ele telefonou e foi direto, querendo vê-la chamou-a para um cinema, na sua alegria de moça nova aceitou, mas, sensata avisou:
- Chego antes das nove.
Concordou, viram o filme comportados e depois entraram numa lanchonete para conversarem, sentaram-se numa mesa discreta no fundo.

R - E... você já namorou?

L - Sim, já... por 06 meses. - O máximo foi 2 meses - E você namora?

R - Não, mas já namorei. Assim, namorei mulheres, não meninas como você.

O espanto de Lívia com a altivez de Raul foi tão intenso que sentiu sua pressão baixar e percebeu que todo seu preparo e investimentos para uma noite tão especial foram descartados após aquela frase tão perpétua pro seu novo coração. Ela, pra se recompor, calou-se, mas logo em seguida, mostraría-se mais ríspida e firme. Encorajou-se com as poucas forças que lhe restava.
R - Então, eu quería te fazer uma pergunta meio indiscreta...

L - Fala.

R - Ah não, é chato perguntar isso...

L - Pergunta logo Raul!

R - Não...

L - Vai logo! Pergunta logo se eu sou virgem!

R - E você é?

L - Não, mas eu sou uma menina! Tenho corpo de 16 anos e não penso como uma menina de 10 anos.

R - Não, não... Que isso! Também não é pra tanto!

Conversa vai, conversa vem e como todo homem, instigou:

R - Fulano vai viajar e meu deu a chave do apartamento dele, vamos lá no fim de semana?

Lívia aceitou, numa febre intensa, algo novo que consumia seu corpo moço, não sabía se era paixão ou algo mais sério, que talvez mudasse sua vida para sempre.
No dia e na hora marcados, eles se encontraram numa praça próxima ao apartamento, Lívia cheirava a colônia barata e Raul a um perfume que o deixou pobre o mês todo; ela, ao contrário do que ele pensava, estava convicta e segura em cima dos saltos, num vestido colado na cintura, cabelos soltos e batom levemente avermelhado. Ele de tênis e calça jeans, camisa de colarinho verde e cabelos ao vento.

Viraram a esquina e chegaram, lá eles sentaram e serviram-se de um vinho novo, num sofá velho ele a beijou de um jeito bruto, ela o afastou numa grande repulsa e o viu se contorcendo no chão, na esperança de respirar morreu olhando a vingança e o sarcasmo naqueles olhos de menina.

5 comentários:

Nathalia Barbosa disse...

Meu Deus! :O

Bart disse...

Vc adora transformar as histórias em algo aterrorizante e dramático. Vc é louca varrida e desvairada.
A pergunta é: "Vc o matou?" Sim. Com as próprias mão. Num impulso raivoso e amargo arranquei-o de meu coração e ele nunca mais voltou. Aqui não há mais lugar pra ele morar.

Bart disse...

mãos*

Querido Blog, disse...

Bom, eu repensei aquela história e fantasiei ela à la Nelson Rodrigues, você precisa lê-lo!
Virou uma obra de arte, assim como você fez ela fez, o matou.

Cláudia Dans disse...

Nooooooooooooooooooossa! Estou chocata! rsrsrs

Mas gostei do texto!

beijos