sexta-feira, 29 de agosto de 2008

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Descalça na rua do Sim

Há tanto e quanto
afã da sina minha
de um lado tanto carinho
d'outro muitos caminhos
sonhos sem rodeios
em cima de atos desordeiros

Qual ato, como hei de reagir
se há fuga no pranto
enquanto barbaridades no poente
porém meu grito forte
à solidão eu digo
que ele não há de ser ausente


À esperança eu confidencio
que meu redor é praga e desvairio
minhas broncas carinhos de outrora
Diga, peito afagado,
que tu és forte e exigente
Diga, que a hora é agora.
Grita e não morrerás como indigente.
Manuela Ramos

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Tempo

Como eu queria
Nas horas mais difíceis da minha vida
Ser como o tempo
Que não pára por nada
Não pára nunca
Rodar e rodar, seria sempre remoto
Sem controle nem obstáculo
E mesmo que me pagassem
Sou incomprável
Pois parar não faz meu tipo
Eu não olho, eu não sinto
Mas mesmo assim eu guio a todos
E vocês sim viverão para se encaixar a mim
E quando perdesse o tempo
Lamentaria...
Eu não volto nunca mais
Sou de ninguém
O tempo
Sou o primeiro que vê quando acorda
E sou aquele que mora em teu pulso
Eu mudo o teu físico
Depois de muito eu ter vivido
Mas o que eu mais queria
O tempo não faz
O tempo, o seu coração
Nem visita.

Manuela Ramos

Coisas que lembro antes de dormir

Foi um dia bom hoje, estou feliz. Acordei bem, graças a Deus, tinha um dia lindo lá fora me esperando. Fui trabalhar, amontoada no trem da linha F – Brás / Calmon Viana. Cheguei na hora, cumprimentei meus colegas e mergulhei no trabalho, sempre gostei de trabalhar, sempre o fiz com gosto, com o meu jeito.
Acabou o expediente, inicia-se agora uma pausa para a vida pessoal, encontro o William, o abraço forte, lhe dou um beijo apaixonado de saudades; conversamos, lemos algumas coisas juntos, falamos besteiras e dormimos no trem, um desmaiado no outro (risos).
Chegando na estação encontramos com meu pai e lá se vão: o homem mais importante da minha vida e o meu amor, juntos, descendo as escadarias do Romano pro trem, indo ambos para a busca de suas realizações. Assovio para os dois e arremesso um beijo de lá de cima pra cada um; como se combinassem, ao mesmo tempo respondem com beijo; jamais, jamais me esquecerei desta cena. Ela é minha, muito minha. Meu tesouro...
À noite chega, vou pra escola e lá meus amigos, felizes, intactos; à meia hora depois do intervalo, me dá um vazio, uma vaia de mim mesmo, tantos planos movendo eles, tantos futuros já sendo combinados, esse é o mal de não gostar da palavra destino, cuidar de aprontar tudo, nessas horas me sinto mal... Fazer planos? Sim, claro. Mas como? Se falta bases e certezas? “Muitas pedras no caminho e uma flor em cada mão”.
Dá o sinal, todos se despedem, dou o braço para minha grande irmã loirinha Thatá, mal ela está, olho para o céu e apresento a ela um “Céu de pipas mortas” e ela me apresenta sua meia lua amarela triste, nos despedimos com desejos de melhoras.
Enquanto ando rápido, ouço passos a mais que os meus, olho para trás, assustada confesso, não era ninguém, às vezes acho que ouço coisas que não estão lá. Abro o portão e minha mãe e chama, ouço aquela voz doce, aquela mulher, que já trabalhara demais aquele dia, cansada mas linda, linda como sempre; e eu vou, vou para aquela voz sempre, como uma cachorrinha que segue a dona. Enquanto arrumo minha cama para deitar, me vem Thatá na cabeça e sinto que posso fazer algo por ela, e é isso que faço, invoco o seu céu de verão para afastar aquela lua triste. Espero que tenha dado certo, não sei...
Acabo e me dirijo para cá, meu computador onde permaneço até agora as 00:57. Vejo fotos, meus amigos, minha família, minha banda... O que será que eles fazem agora? Acho que dormindo, ou será que estão tristes? Será que estão felizes? Será que dormem só, solitários ou acompanhados? Será que sonham?
Releio meus textos e me divirto (risos), revejo alguns presentes que me trazem boas recordações... boas...
Ligo o som, engenheiros claro, minha banda favorita, “Tchau Radar!” meu CD favorito, e o word, meu brinquedo de fazer palavras, frases e versos...
Eu quero terminar dizendo: Se eu tivesse conquistado tudo que eu quero na minha vida, se eu soubesse claro o que eu já quero e já tivesse tudo acontecido, estaria dormindo, nem ligaria pra toda beleza do meu dia, não teria rido com meus amigos, não teria dito pra minha mãe que tenho oscilações de humor e que já chorei no trabalho, porque eu não teria chorado; pensado nos meus amigos com todo o carinho como pensei hoje, porque talvez eles nem ligassem pra mim como eles ligam, porque eu já teria excluído coisas bonitas minhas do meu computador porque isso é passado e passado a gente limpa.
É por isso que eu digo:
Vacilei em algumas horas na minha vida de 16 anos, mas foi nelas que eu fiquei feliz depois, por ter superado.
Foi esse momento de hoje que me fez desabafar algo a mais meu pra minha mãe e eu sei que isso vai me ajudar a ser uma mulher mais verdadeira comigo mesma.
Foi por ter descido naquela estação que eu presenciei aquela cena de filme, um filme rodado apenas na minha mente, no meu tempo, da minha vida.
Porque nós não conquistamos tudo tão cedo na vida, porque a vida é uma conquista. Porque o “céu de pipas mortas” e uma lua triste amarela é um drama, um romance.
Mas invocar um céu de verão pra ajudar um amigo, é uma poesia...
Abrigue um amigo pra sensibilidade do seu coração não ser afetada pelo mundo moderno.
Amanhã, eu quero seguir viagem...


Manuela Ramos

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Música de tarde - Manuela Ramos

É verão agora...
Tchau tchau garoto vou embora.
Feliz de quem descobriu
O sol assim que saiu
Pro horário comercial

Sábio de quem sorriu
Do que um dia te fez mal
Assim que descordou
Em comer pizza no final

Eu não sei tudo ainda
Mas ainda vou saber
Não quero esquecer
Do que eu vou ser quando crescer.

Aliás...
Sua camisa lilás
Combinou com o seu sorriso
Já sei quem eu quero pro meu carnaval
Talveeeez...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Poesia Pífia - O Augusto

Na minha poesia
não tem lorota.
Não tem amor eterno
nem vôo de gaivota.
O que sai na minha poesia
é cheiro de esgoto.
E desgosto de pai pelo filho;
andarilho roto.
Sai tempo perdido
em fila de banco
pra bancar o luxo
desses pestes
que lucram um trilhão
em um trimestre.
Da minha poesia
sai sangue de aborto
da cocota menina,
que não vislumbra
outra sina.
Sai bafo de buso lotado,
cada vez com menos lugares
pra se viajar sentado.
Da minha poesia
sai o riso epitáfio
dos pífios
que confraternizam
com pedófilos.
Da minha poesia
sai a azia; o ardor,
da bebedeira
da noite anterior.
A minha poesia
não consegue ter lirismo.
Ela se contenta
com fortes doses
de cinismo.

Rosas - Leandro Quirino

Em frente a uma bela igreja
Tenho minha banquinha de rosas
Dois reais cada uma
Pra ajudar no alimento da Bruna
Meu bebê que acabou de nascer
Vendo rosas na calçada
Fico olhando quem vem
Quem passa
Quem possa
comprar uma rosa ao menos
Pra Bruna poder ter o que comer
Todas as noites sinto o frio e a garoa
Mas não posso deixar de vender
Pois só tenho minha barraca de rosas
E as lágrimas do meu bebê.

Amizade

Quinho
Era um cão vira-lata
Que morava na favela
Do jardim Guarujá
Educado
Só latia o necessário
Não mordia crianças,
Era contra qualquer
Tipo de violência.
Pra ser gente
Só faltava falar.
E a gente,
Pra ser cachorro,
Só faltava escutar.
Sérgio Vaz

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Livro do Desassossego. Pág 69

"Pensaste já quão invisíveis somos uns para os outros? Meditaste já em quanto nos desconhecemos? Vemo-nos e não nos vemos. Ouvimo-nos e cada um escuta apenas uma voz que está dentro de si. As palavras dos outros são erros do nosso ouvir, naufrágios do nosso entender."

Fernando Pessoa

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

LIVRES PRA ESCOLHER - Titãs

Composição: Brito E Belloto

Quanto mais olho, menos eu vejo
Quanto mais ando, menos eu chego
Quanto mais falo, menos eu digo
Quanto mais tento, menos eu consigo

Vocês ainda vão se amar
Ainda que tenham que cobrar pra se entregar
Quanto mais peço, menos eu ganho
Quanto mais faço, menos eu acho

Quanto mais quero, menos eu tenho
Quanto mais penso, menos eu entendo
Vocês ainda vão se olhar
Ainda que tenham que chorar pra se enxergar

Livres para escolher, prontos para a indecisão
Livres para arriscar, prontos para a decepção
Nada no bolso ou nas mãos

Quanto mais fujo, menos me escondo
Quanto mais corro, menos alcanço
Quanto mais leio, menos aprendo
Quanto mais durmo, menos eu descanso

Vocês ainda vão se ouvir
Ainda que tenham que gritar pra se escutar
Livres para escolher, prontos para indecisão
Livres para arriscar, prontos para a decepção
Prontos pra contradição

Quanto mais olho - ando, falo, tento
Quanto mais ando, menos eu chego
Quanto mais falo - faço, quero, penso
Quanto mais tento, menos eu consigo

Vocês ainda vão se amar
Ainda que tenham que cobrar pra se entregar